A novela chega ao seu final
, e com ela as indefinições, os momentos de apreensão e por último o posicionamento de cada um ficou definido no final da semana que passou.
Os segredos não ditos para o público se manifestaram, ou seja, o que estava sendo “costurado” nos bastidores se concretizou na prática.
Há na política de Macau; aliás, em muitas políticas pelo mundo afora, o ditado que política se faz com os olhos no futuro. E Eduardo Lemos aprendeu rapidamente esta máxima. Não adianta, neste momento, pensadores, “pitaqueiros”, ou analistas outros, tentarem explicar o que ocorreu na nossa cidade criticando a estratégia dos outros, apenas olharem para os seus próprios umbigos ou diante do espelho e perguntarem o que cada um fez para que isto não acontecesse.
Antes de continuar falando do Eduardo Lemos vamos fazer uma breve viagem no tempo. Há cerca de 4 anos, eu, o Araújo (atual presidente do PT), Aluísio Faria e outros, analisando as possibilidades reais de mudanças em Macau e não encontrando dentro do grupo dos “históricos” (considerados nanicos), alguém que pudesse se dispor e conseguisse aumentar a densidade eleitoral para chegarmos à administração da cidade, saímos em busca da unificação da “ala” de esquerda no município. Dentre os partidos as conversas aconteceram com o PC do B, PSB e PT. Lembro-me muito bem, que depois de muitos debates, a tendência, e foi o que se concretizou, apontou à aliança destes partidos com um nome forte, e este nome foi o do cardiologista Eduardo Lemos.
Foi um alvoroço na cidade. No interior dos partidos a situação foi pior ainda; não pelo médico escolhido, mas pela carga de ser um Tetéo, que o acompanhava. Mesmo assim, com todos os preconceitos e depois a superação dos problemas, todos foram convencidos e saímos para as ruas com um nome forte, compromissado com o eleitor e cheio de esperança para Macau.
Por incrível que parece, os mesmos que hoje se debandam para outros seguimentos da política na cidade, não todos, mas muitos, naquela época ficaram entre o muro de Flávio e o de Eduardo, até detectarem que nas ruas o crescimento da campanha colocava o “Doutor” com grandes chances de vitória, vindo assim a ficarem definitivamente ao seu lado.
Ninguém sofreu mais do que eu no PT; naquele momento, articulador da idéia de Eduardo prefeito, e que fui chamado de Tetéo em vários setores da cidade, e que logo depois fui presenteado com a vinda de gregos e troianos para a sua candidatura. Muitos desses gregos e troianos são figuras emblemáticas e ligadas a “máquina administrativa” desde os tempos do ronco.
Observem que o tempo é o senhor da verdade, muitos não vendo ressonância em seus interesses individuais, ou coletivos (leia-se família), dentro do grupo do Eduardo Lemos, optaram em cair fora do processo.
O tempo passou e a rígida atividade laboriosa de médico afastou Eduardo do cotidiano da cidade. E na política, para quem não corrompe, não bajula e não se submete à forma equivocada de governar, desgraçadamente perderá a oportunidade de continuar tentando. Isto aconteceu com muitos. Chegam agora às estratégias, as possibilidades, o destino e quem é melhor do que quem. E o PT, através de corajosos colaboradores e com a minha participação saiu mais uma vez na frente: CONVERSOU COM O PMDB, PP E PARTIDOS DA BASE ALIADA.
Lembram, como fomos criticados, apedrejados e execrados em público? Mas, a experiência de 18 anos de política partidária e 42 anos de idade não me intimidou e nem tão pouco aos meus amigos. Inclusive o próprio Eduardo Lemos e o PSB foram contra a idéia de conversas com o PMDB de Flávio. No entanto, a ficha caiu! Não se discute política olhando para o próprio espectro no espelho. O caminho que debatemos é o fortalecimento da base aliada do governo Lula e da governadora Vilma na cidade.
Acredito que somente alguns e me incluo, sabemos o quanto Eduardo penou para tomar esta decisão. E que pra mim foi uma decisão acertada. As decisões são de partido, e não de pessoas. Se não vencemos, unamos-nos à melhor alternativa; assim pensou Eduardo e o seu partido. E tenho certeza, quando os homens agem sozinhos cometem erros e mais erros, quando agem em grupo reduzem os seus erros, e Flávio Veras, se até agora cometeu muitos erros poderá consertá-los com homens como o Aluisio Faria, Eduardo Lemos e Vilma de Faria ao seu lado.
PORQUE QUE OS QUE CRITICAM NÃO SE JUNTAM À ALIANÇA PT/PCdoB? Porque preferem a política do mais fácil e do vício.
Voltando à estratégia: há um autor nessa história toda, Zé Menezes e os seus seguidores. 8 anos de governo, improbidade, inelegibilidade e privilégio de pessoas ligadas ao seu governo. Com a sua cara de “santo do pau oco”, tenta mostrar para o município que agora é a sua vez de novo. Tenta convencer a muitos outros oportunistas e desavisados que será a salvação de Macau; oportunidade que teve no passado para comprovar e foi incompetente e envolto a escândalos. Traz consigo uma carga de parasitas e viciados da política do mal. Inclusive, alguns que conversam muita “lorota” apenas em mesa de bar, contribuem e contribuíram para a ascensão de Zé Antônio, e pasmem, preferem entregar, como forma de protesto mais 8 anos para Zé e familiares, com perspectiva de se vencer as eleições, esticarem o seu “domínio” em mais 4 anos para Odete ou outro da Grande Família.
Perguntar é sempre bom: Por que esses mesmos “detentores” da verdade em Macau desde muitos anos não optaram pelo PT, ou PCdoB, ou PSB ou PMN (o do passado) para mudar de vez o município? E olhem que a tentativa é desde 1988. E passou por Francisca Maria, Renan, Floriano, João Eudes, Dalvaci, Doutor Marc Alfonso e Eduardo. E não adianta dizer que seriam incapazes, porque nunca foram testados em nenhum governo.
Agora, por exemplo, para se ter uma idéia bem real, porque que esses políticos e seus seguidores, que criticam a postura do PSB do Eduardo Lemos, não se juntam a candidatura de Eliete do PT e Patrícia do PCdoB para mudar Macau? Sabem por que não fazem isto, porque querem a política do mais fácil, a da repetição eterna do erro. Existem momentos que padre ou pastor, religioso ou ateu, quando possuídos por alguns demônios também se equivocam, e defendem interesses pessoais em detrimento da maioria do povo, porque se vêem com mais disposição de se articular pelo PSDB cruel do que se envolver pelo PT que se propõem enquanto alternativa.
O próximo artigo será sobre o PT e o lançamento da sua candidatura e a minha posição em relação ao processo eleitoral em Macau.